
O laser fracionado trata a pele em microcolunas, deixando ilhas de pele intacta entre elas — é isso que acelera a cicatrização e permite estimular colágeno com segurança. Ele se divide em ablativo (CO2 e Érbium, que vaporizam tecido) e não ablativo (que aquece sem abrir a pele). Cada família resolve um problema diferente.
No vídeo, o Dr. Claudio Wulkan explica por que, em cicatriz de acne, o laser fracionado ablativo continua sendo a tecnologia que mais entrega retração e melhora de textura — e por que a escolha do aparelho e dos parâmetros pesa mais do que a marca do equipamento.
Sumário: o que você vai encontrar aqui sobre laser fracionado
- O que é o laser fracionado (e o que significa “fracionar”)
- Fracionado ablativo x não ablativo: a primeira decisão
- Laser de CO2 fracionado (10.600 nm): o mais potente
- Laser de Érbium fracionado (Er:YAG 2940 nm): o mais preciso
- Os 3 aparelhos de laser fracionado da Clínica Wulkan
- Para que serve o laser fracionado
- Como é a sessão e a recuperação, dia a dia
- Riscos, fototipo e contraindicações
- Quanto custa o laser fracionado
- Artigos científicos recentes sobre laser fracionado
- Perguntas frequentes sobre laser fracionado
- Leia também
O Dr. Claudio Wulkan é especialista em laser fracionado — e essa é, tecnicamente, uma das áreas mais exigentes da dermatologia, porque um mesmo aparelho pode rejuvenescer ou queimar dependendo do parâmetro escolhido. Dermatologista (CRM-SP 90.579 · RQE 39.944), formado pela UNIFESP em 1997, membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, com cerca de 30 anos de experiência e mais de 20 tecnologias para a pele, ele ensina outros médicos a usar laser fracionado e participa de congressos internacionais há décadas. A Clínica Wulkan mantém três aparelhos de laser fracionado diferentes nas unidades Jardim Paulista e Osasco — um Érbium e dois de CO2 —, o que permite escolher a tecnologia certa para a sua pele em vez de adaptar o seu caso ao único aparelho disponível.
O que é o laser fracionado (e o que significa “fracionar”)
Antes do fracionamento, o resurfacing a laser era feito de forma total: o feixe removia a camada superficial da pele inteira, de uma vez. O resultado era excelente, mas o preço era alto — semanas de recuperação, risco relevante de infecção, de cicatriz e de alteração permanente de cor. Foi por isso que a técnica, embora eficaz, ficou restrita a poucos casos.
O laser fracionado resolveu esse problema com uma ideia simples: em vez de tratar 100% da superfície, o feixe é dividido em uma matriz de microcolunas de energia — cada uma com cerca de 100 a 400 micrômetros de diâmetro — que atingem apenas uma fração da área. Entre uma coluna e outra sobra pele intacta, com folículos, vasos e células-tronco preservados. São essas ilhas de tecido saudável que reepitelizam a pele tratada em poucos dias, em vez de semanas.
Cada microcoluna funciona como uma microlesão controlada. O corpo responde a ela com o mesmo processo que usa para cicatrizar: inflamação, produção de colágeno novo e remodelação da matriz dérmica ao longo de semanas a meses. É por isso que o resultado do laser fracionado não aparece de uma vez — ele continua melhorando por 3 a 6 meses após a última sessão. Dois números resumem a estratégia de um tratamento: a densidade (quantas colunas por centímetro quadrado) e a profundidade (quanta energia cada coluna entrega). Densidade alta trata mais área por sessão e aumenta o downtime; profundidade maior alcança cicatrizes fundas e flacidez, mas exige mais cuidado com o fototipo.
Fracionado ablativo x não ablativo: a primeira decisão
Toda a família do laser fracionado se divide em duas categorias, e essa é a primeira pergunta que o médico responde na avaliação.
No fracionado ablativo, o comprimento de onda é fortemente absorvido pela água do tecido e cada microcoluna vaporiza — literalmente remove — a pele naquele ponto, abrindo um microcanal. É a categoria do CO2 (10.600 nm) e do Érbium Er:YAG (2940 nm). Entrega mais retração, mais melhora de textura e mais estímulo de colágeno por sessão, ao custo de crostas, vermelhidão prolongada e alguns dias de afastamento social. É o caminho para cicatriz de acne, rugas marcadas e flacidez leve a moderada. Se quiser aprofundar só nessa categoria, a página para que serve o laser fracionado ablativo trata dela em detalhe.
No fracionado não ablativo, a energia atravessa a camada córnea sem removê-la e deposita calor na derme. A pele não abre: forma-se uma microzona de dano térmico sob uma superfície íntegra. É a categoria dos lasers de 1340 nm, 1550 nm e do túlio 1927 nm (o Lavieen). Entrega menos por sessão, mas com recuperação curta — em geral 2 a 3 dias de descamação fina — e risco muito menor de manchar peles morenas e negras.
É o caminho para melasma, poros, textura irregular, manchas e manutenção. A página o laser fracionado não ablativo detalha essa opção.
A regra prática que usamos em consultório: quanto mais estrutural o problema (cicatriz, ruga, flacidez), mais o ablativo se justifica; quanto mais superficial e mais pigmentar (mancha, melasma, poro, viço), mais o não ablativo compensa — porque nesses casos o ganho extra do ablativo não paga o risco de hiperpigmentação pós-inflamatória, especialmente na pele brasileira.
Laser de CO2 fracionado (10.600 nm): o mais potente
O laser de CO2 emite em 10.600 nanômetros, no infravermelho distante. Esse comprimento de onda é bem absorvido pela água, mas não tão avidamente quanto o do Érbium — e essa diferença, que parece um detalhe de física, é justamente o que define o comportamento clínico dos dois.
Como a absorção é mais “generosa”, o CO2 vaporiza tecido e difunde calor para os lados de cada microcoluna, criando uma zona de coagulação térmica ao redor do canal. Esse calor residual tem dois efeitos desejáveis: coagula pequenos vasos (o procedimento sangra pouco) e provoca uma contração imediata das fibras de colágeno — a famosa retração da pele que se vê ainda na sala. É por isso que o CO2 é a primeira escolha quando o objetivo envolve cicatriz de acne, rugas periorais e periorbitais, flacidez leve e resurfacing profundo.
O outro lado da moeda é o mesmo calor: mais estímulo inflamatório significa mais vermelhidão, mais dias de crosta e maior risco de hiperpigmentação pós-inflamatória em fototipos mais altos. É uma tecnologia que exige parâmetro individualizado e acompanhamento — o que a torna excelente nas mãos certas e problemática nas erradas.
Detalhamos o procedimento em o que é o laser de CO2 fracionado.
E mostramos resultados documentados em estudos de acesso aberto na página de laser de CO2 antes e depois.
Laser de Érbium fracionado (Er:YAG 2940 nm): o mais preciso
O laser de Érbium — nome completo Er:YAG, érbio dopado em cristal de ítrio-alumínio-granada — emite em 2940 nm. Esse é praticamente o pico de absorção da água: a molécula de água absorve o Érbium cerca de 10 a 16 vezes mais avidamente do que absorve o CO2. E 2940 nm fica muito perto do pico de absorção do próprio colágeno, em torno de 3030 nm.
A consequência prática é direta: a energia do Érbium é consumida quase inteira na vaporização, quase sem sobrar calor para difundir lateralmente. O resultado é uma ablação cirurgicamente limpa, camada por camada, com zona térmica residual mínima. Traduzindo para o consultório: menos dor, menos vermelhidão, recuperação mais curta e risco menor de mancha residual — mas também menos retração térmica e menos estímulo de colágeno por sessão do que o CO2.
Por isso o Érbium 2940 é a escolha preferencial quando precisão importa mais do que potência: peles mais escuras ou com histórico de hiperpigmentação, pálpebras e áreas delicadas, cicatrizes superficiais, textura irregular, queratoses, pacientes que não podem ficar dias afastados, e regiões fora do rosto (pescoço, colo e mãos), onde a pele cicatriza mais devagar e o calor excessivo do CO2 é mais arriscado. Também é excelente em tratamentos sequenciais — várias sessões mais leves em vez de uma única sessão agressiva.
Os 3 aparelhos de laser fracionado da Clínica Wulkan
Ter mais de um aparelho não é detalhe de vitrine. Cada plataforma tem comprimento de onda, modos de emissão, densidades, profundidades e ponteiras próprios — e a diferença entre um resultado bom e um resultado ruim costuma estar em conseguir usar a máquina certa, e não em forçar todos os casos no único equipamento disponível. A Clínica Wulkan mantém três aparelhos de laser fracionado, complementares entre si:
1. Etherea 2940 Érbium — o ablativo de precisão
É o nosso Er:YAG fracionado ablativo de 2940 nm, montado na plataforma Etherea (Vydence Medical). É o aparelho da ablação limpa: remove camada por camada com calor residual mínimo, o que o torna a escolha natural para fototipos mais altos, pálpebras e áreas delicadas, cicatrizes superficiais, textura, queratoses e pacientes que precisam voltar rápido à rotina. Por ser uma plataforma multiaplicação, permite ainda combinar o Érbium com outros comprimentos de onda na mesma consulta — por exemplo, tratar a textura com o fracionado e o vermelhidão ou os vasos com outra ponteira.
2. Neoxel — o CO2 fracionado versátil
É um CO2 fracionado de 10.600 nm de geração recente, com dois recursos que ampliam bastante o repertório: o modo spray, que distribui a energia de forma mais homogênea e superficial — útil em rejuvenescimento e uniformização de textura, com recuperação mais curta —, e o stacking de pulsos, que empilha disparos no mesmo ponto para alcançar profundidade em cicatrizes fundas. É o aparelho de trabalho para a maior parte dos casos de laser de CO2 fracionado no rosto.
3. Hybrid (LMG) — o CO2 híbrido, de corte e retração
O Hybrid da LMG é um CO2 de 10.600 nm que reúne, no mesmo equipamento, ponteiras de corte cirúrgico e de fracionado, além de um modo de retração híbrida. É o aparelho que usamos quando o caso pede mais do que resurfacing: remoção de lesões de pele com o CO2 no modo cirúrgico (queratoses, siringomas, rinofima), retração mais potente na região das pálpebras e do lábio, e procedimentos em que corte e resurfacing acontecem na mesma sessão.
Na prática, a avaliação define não só “qual laser”, mas qual dos três aparelhos e com que parâmetro — e, com frequência, a resposta é uma combinação: Érbium em uma área, CO2 em outra, ou uma sequência ao longo de meses. Nota para médicos e clínicas: parte dessas plataformas de CO2 também está disponível para aluguel de laser de CO2 na Just Laser, e o Dr. Wulkan ensina a técnica a outros profissionais.
Para que serve o laser fracionado
As indicações mais frequentes na clínica, e a tecnologia que costuma resolver cada uma:
- Cicatriz de acne atrófica — a indicação clássica do fracionado ablativo, em geral CO2, frequentemente combinado com subcisão ou bioestimulador. É o assunto de CO2 ou Érbium para cicatriz de acne.
- Rugas finas e enrugamento perioral e periorbital — CO2 fracionado, com densidade e profundidade ajustadas à espessura da pele local.
- Fotoenvelhecimento e textura irregular — CO2 em modo superficial ou Érbium, conforme o downtime que a rotina permite.
- Manchas e melasma — território do não ablativo. O ablativo mal indicado pode piorar o melasma. Veja o tratamento do melasma.
- Poros dilatados e oleosidade — fracionado leve, ablativo ou não ablativo, em séries.
- Estrias e cicatrizes cirúrgicas ou de queimadura — fracionado ablativo, com número maior de sessões.
- Lesões de pele (queratoses, siringomas, rinofima) — modo cirúrgico/dermatológico do CO2.
- Drug delivery — os microcanais abertos pelo fracionado ablativo servem de via para ativos aplicados logo após a sessão, sob indicação médica.
Como é a sessão e a recuperação, dia a dia
A sessão de laser fracionado no rosto começa com anestésico tópico por 40 a 60 minutos e dura, em média, de 15 a 40 minutos. A sensação durante o disparo é de calor com picadas; nas primeiras horas depois, o mais comum é uma sensação de queimadura de sol.
No fracionado ablativo, a linha do tempo típica é: vermelhidão e inchaço leve nos dias 1 a 3, com formação de um pontilhado de microcrostas; descamação fina entre os dias 4 e 7, quando a maioria das pessoas retoma o trabalho; pele nova e por vezes rosada nas semanas 2 a 4; e remodelação do colágeno entre 1 e 6 meses, quando o resultado continua melhorando. O Érbium costuma percorrer esse caminho mais rápido que o CO2. No não ablativo, a recuperação é bem menor — descamação discreta em 2 a 3 dias.
Uma parte grande do resultado se decide no pós: higiene suave, cicatrizante conforme orientação médica e fotoproteção rigorosa. Um tratamento bem executado se perde com poucas semanas de descuido com o sol.
O passo a passo completo está no guia de cuidados após o laser fracionado.
Já o intervalo entre uma sessão e outra é discutido em qual a melhor frequência de aplicação do laser fracionado.
Riscos, fototipo e contraindicações
O laser fracionado é um procedimento médico e tem riscos reais. Os mais comuns são previsíveis e transitórios: vermelhidão prolongada, inchaço, crostas, coceira, sensibilidade e, ocasionalmente, pequenas erupções acneiformes. Os relevantes são hiperpigmentação pós-inflamatória (mancha escura após a inflamação), hipopigmentação (clareamento, mais tardio e mais difícil de tratar), infecção — inclusive reativação de herpes, motivo pelo qual profilaxia antiviral é rotina em quem tem histórico — e, raramente, cicatriz.
O fototipo é a variável que mais muda a conduta. Peles mais escuras (Fitzpatrick IV a VI), a maioria no Brasil, têm risco de base maior de hiperpigmentação — e nelas o Érbium tende a ser preferido ao CO2, com parâmetros conservadores, mais sessões e protocolo de preparo e prevenção de pigmentação. Bronzeado recente é motivo para adiar a sessão, não para “compensar no parâmetro”.
Contraindicam ou adiam o procedimento: uso recente de isotretinoína (o intervalo é avaliado caso a caso), infecção ativa na área, gestação, doenças que comprometem cicatrização, histórico de queloide e melasma em atividade quando se cogita o ablativo. Não existe procedimento sem risco — o que reduz risco de verdade é indicação correta, parâmetro individualizado, ambiente médico e um profissional que saiba reconhecer e tratar uma intercorrência cedo.
Quanto custa o laser fracionado
Na Clínica Wulkan, o laser fracionado ablativo fica em uma faixa de R$ 500 a R$ 15.000 por sessão — e essa mesma faixa vale tanto para o CO2 quanto para o Érbium. Ela é larga de propósito: “laser fracionado” não é um procedimento só, e quem promete um preço único está simplificando algo que não é simples.
Três coisas movem o valor dentro da faixa, e vale entender cada uma antes de comparar orçamentos:
- O tipo de máquina. Plataformas diferentes têm modos de emissão, ponteiras e capacidade de profundidade diferentes — e custo de aquisição e manutenção muito diferentes entre si. O aparelho que resolve uma cicatriz funda não é o mesmo que faz uma sessão leve de textura.
- Quão superficial ou quão ablativo é o tratamento. Esse é o fator que mais pesa. Uma passagem leve, superficial, é um procedimento curto e de recuperação rápida. Um resurfacing completamente ablativo é outra operação: mais tempo, mais anestesia, mais acompanhamento e vários dias de recuperação.
- A experiência de quem aplica. Em laser, o parâmetro é uma decisão médica tomada caso a caso — por fototipo, espessura de pele, região e objetivo. É o que separa um bom resultado de uma queimadura ou de uma mancha que demora meses para sair.
Na prática, isso desenha três patamares dentro da mesma faixa: um fracionado leve, “a frio”, em área pequena, fica entre R$ 500 e R$ 800; um fracionado convencional de face, entre R$ 1.800 e R$ 6.000, conforme densidade, profundidade e número de passagens; e um resurfacing profundo — com intensidade equivalente à de um peeling de fenol, feito em ambiente controlado — pode chegar a R$ 15.000. Área tratada e número de sessões previstas também entram na conta.
Repare que o que muda o preço não é a sigla do aparelho, e sim o que se faz com ele. Por isso a comparação honesta entre dois orçamentos de “laser fracionado” só existe quando os dois descrevem a mesma profundidade, a mesma área e o mesmo número de sessões. O valor exato do seu caso sai depois da avaliação presencial, porque depende do diagnóstico e do plano.
Artigos científicos recentes sobre laser fracionado
1) CO2 x Érbium acompanhados por 12 meses (2025)
Um estudo publicado em 2025 no American Journal of Translational Research comparou laser de CO2 em matriz e laser de Er:YAG em 254 pacientes com cicatriz de acne (124 no grupo CO2 e 130 no grupo Érbium), tratados entre 2021 e 2024, com seguimento longo de 12 meses — raro nessa literatura, quase sempre limitada a 3 meses.
O CO2 saiu na frente na eficácia: escore ECCA de cicatriz melhor aos 12 meses (39,84 ± 3,26 contra 41,31 ± 4,88; p = 0,005), mais casos de melhora significativa (37,1% contra 30,8%) e, sobretudo, muito menos casos sem resposta (5,7% contra 16,9%; p = 0,017). Também teve vantagem na análise de imagem VISIA para poros e porfirinas, e melhor ganho de qualidade de vida (DLQI) em 12 meses. O Érbium venceu no conforto: menos dor (VAS 3,12 contra 3,19; p = 0,011), eritema resolvendo antes (2,93 contra 3,11 semanas; p = 0,029) e menos vermelhidão persistente (0,77% contra 6,45%; p = 0,035).
É exatamente o trade-off que explicamos na avaliação, agora com número: o CO2 entrega mais resultado por sessão; o Érbium entrega mais conforto e segurança. Ter os dois na clínica é o que permite escolher o lado certo dessa balança para cada paciente, em vez de defender a tecnologia que se tem. É um estudo retrospectivo — não randomizado —, então serve como orientação de conduta, não como prova definitiva (fonte: Xiao C, Zhang J, Peng J. American Journal of Translational Research, 2025 — PMID 40950268).
2) Ablativo x não ablativo: uma meta-análise de 2025
A segunda pergunta desta página — ablativo ou não ablativo — foi objeto de uma meta-análise publicada em abril de 2025 no JDDG, o periódico da Sociedade Alemã de Dermatologia, reunindo sete estudos e 186 casos de cicatriz de acne.
O achado é honestamente ambíguo, e é essa a parte útil. Os lasers ablativos foram superiores nas avaliações feitas tanto pelo observador quanto pelo próprio paciente — ou seja, o resultado que se vê é maior. Já os não ablativos tiveram desempenho melhor do que se costuma supor em cicatriz atrófica, com perfil de segurança claramente mais favorável: menos dor e eritema mais curto. A conclusão dos autores é que as duas famílias funcionam e que a escolha deve equilibrar eficácia e segurança.
Na prática, isso reforça uma conduta que já adotamos: o não ablativo não é “o laser fraco” — é a escolha certa quando o fototipo, o histórico de mancha, a região tratada ou a rotina do paciente tornam o preço biológico do ablativo alto demais. E, em muitos casos, a melhor estratégia é sequencial: séries de não ablativo com sessões pontuais de ablativo onde o problema é estrutural (fonte: Ke R et al. JDDG — Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft, 2025;23(4):425-436 — PMID 40066600).
Perguntas frequentes sobre laser fracionado
Laser fracionado é ablativo ou não ablativo?
Pode ser os dois — “fracionado” e “ablativo” descrevem coisas diferentes, e essa confusão é comum. Fracionado diz respeito ao modo de entrega: em vez de tratar toda a superfície, o feixe é dividido em microcolunas com pele intacta entre elas. Ablativo diz respeito ao efeito no tecido: se o laser vaporiza (remove) a pele naquele ponto ou apenas a aquece.
Existem, portanto, lasers fracionados ablativos (CO2 e Érbium), lasers fracionados não ablativos (1340 nm, 1550 nm, túlio 1927 nm) e ainda lasers ablativos totais, não fracionados, hoje pouco usados justamente pela recuperação longa.
Quando alguém diz apenas “vou fazer laser fracionado”, a informação está incompleta: falta saber se é ablativo ou não, qual comprimento de onda e com que profundidade — e são essas três variáveis que determinam o resultado, o downtime e o risco.
Qual a diferença entre laser ablativo e não ablativo?
O ablativo abre a pele; o não ablativo, não. No ablativo, cada microcoluna vaporiza tecido e deixa um microcanal aberto que leva alguns dias para fechar — daí as crostas, a vermelhidão mais longa e a recuperação de 5 a 7 dias no rosto. Em troca, o estímulo de colágeno e a retração são bem maiores por sessão.
No não ablativo, a camada superficial permanece íntegra e o calor é depositado por baixo dela. A pele fica avermelhada e descama discretamente por 2 a 3 dias, e o risco de manchar é bem menor — mas o ganho por sessão é menor, o que normalmente exige uma série de 3 a 6 sessões para chegar perto do que o ablativo faz em 1 a 3.
A decisão não é sobre qual é “melhor”, e sim sobre o que o seu caso comporta: cicatriz funda e ruga marcada pedem ablativo; mancha, melasma, poro e viço, com pouco tempo de afastamento, pedem não ablativo. Fototipo alto e histórico de hiperpigmentação pesam a favor do não ablativo ou do Érbium com parâmetro conservador.
Laser de CO2 ou laser de Érbium: qual é melhor?
Não existe um melhor absoluto — existe o melhor para o seu caso, e a literatura ajuda a decidir. O CO2 (10.600 nm) difunde mais calor ao redor de cada microcoluna, o que produz mais retração e mais estímulo de colágeno; o Érbium (2940 nm) é absorvido quase inteiramente na vaporização, o que produz uma ablação mais limpa, com menos calor residual.
Os estudos recentes convergem: o CO2 tem taxa de eficácia maior em cicatriz atrófica de acne, enquanto o Érbium tem menos dor e eritema mais curto. No estudo de 12 meses citado acima, o CO2 teve três vezes menos casos sem resposta — mas seis vezes mais vermelhidão persistente.
Na prática: CO2 quando o problema é estrutural e o paciente pode assumir o downtime; Érbium quando precisão, fototipo alto, área delicada ou pressa de voltar à rotina pesam mais. Como temos os dois — Etherea 2940 Érbium e dois CO2 —, essa escolha é feita pelo caso, não pelo aparelho disponível.
Laser de Érbium ou Lavieen: qual escolher?
São categorias diferentes. O Érbium 2940 é ablativo: remove tecido, trabalha textura, cicatriz e relevo. O Lavieen é um laser de túlio 1927 nm, não ablativo: aquece a epiderme superficial sem abri-la, e seu forte é pigmento — melasma, manchas difusas, uniformização de tom e viço, com quase nenhum afastamento.
Se a queixa principal é mancha ou melasma, o caminho começa pelo Lavieen (ou por outro não ablativo), porque o ablativo pode inflamar e piorar um melasma em atividade. Se a queixa é cicatriz, poro fundo ou textura, o Érbium resolve o que o Lavieen não alcança.
É frequente que a resposta certa seja “os dois, em momentos diferentes” — tratar o pigmento primeiro e o relevo depois, ou alternar ao longo do ano. Veja mais em aplicação do Lavieen em São Paulo.
Quanto custa uma sessão de laser fracionado?
Na Clínica Wulkan, o laser fracionado ablativo fica na faixa de R$ 500 a R$ 15.000 por sessão, e a mesma faixa vale para o CO2 e para o Érbium. A largura reflete procedimentos muito diferentes reunidos sob o mesmo nome.
O que move o valor é o tipo de máquina usada, o quanto o tratamento é superficial ou completamente ablativo, e a experiência de quem define os parâmetros. Na prática: um fracionado leve em área pequena fica entre R$ 500 e R$ 800; um fracionado convencional de face, entre R$ 1.800 e R$ 6.000; e um resurfacing profundo, com intensidade de peeling de fenol, pode chegar a R$ 15.000.
O valor exato só sai depois da avaliação presencial, porque depende do diagnóstico e do plano — e não do “pacote”. Desconfie de preço fechado por telefone antes de alguém ter visto a sua pele.
Laser fracionado dói? Como é a recuperação?
Com anestésico tópico aplicado 40 a 60 minutos antes, a sessão é tolerável para a grande maioria das pessoas: a sensação é de calor com picadas. Nas primeiras horas depois, o mais comum é uma sensação de queimadura de sol, que responde bem a compressa fria e ao cuidado orientado.
No ablativo, espere vermelhidão e inchaço leve nos primeiros 3 dias, microcrostas e descamação fina entre o 4º e o 7º dia — período em que a maior parte das pessoas volta ao trabalho — e pele rosada por mais 2 a 4 semanas. No não ablativo, tudo isso se resume a 2 ou 3 dias de descamação discreta.
Vale planejar: quem tem evento, viagem ou apresentação importante deve marcar a sessão com pelo menos duas semanas de folga. E fotoproteção rigorosa não é detalhe — é parte do tratamento.
Quantas sessões de laser fracionado são necessárias?
Depende do objetivo e da tecnologia. Em rejuvenescimento com CO2, é comum 1 a 3 sessões. Em cicatriz de acne, 3 a 5 sessões, às vezes mais, combinadas com subcisão ou bioestimulador. Em estrias e cicatrizes de queimadura, o número costuma ser maior e o tratamento se estende por meses.
Com lasers não ablativos, a série é naturalmente maior — em geral 3 a 6 sessões — porque cada uma entrega menos. É um trade-off entre número de sessões e dias de afastamento por sessão.
O intervalo típico é de 4 a 8 semanas entre sessões, para dar tempo à remodelação do colágeno. Vale lembrar que o resultado continua evoluindo por 3 a 6 meses depois da última sessão — avaliar cedo demais leva a repetir sessões desnecessárias.
Quem tem pele negra ou morena pode fazer laser fracionado?
Pode, com critério. Peles de fototipo mais alto (Fitzpatrick IV a VI) têm risco de base maior de hiperpigmentação pós-inflamatória — a mancha escura que aparece semanas depois. Isso não impede o tratamento; muda o planejamento.
Em fototipos altos, a conduta habitual é preferir o Érbium ao CO2, usar densidade e profundidade conservadoras, distribuir o tratamento em mais sessões e adotar protocolo de preparo e prevenção de pigmentação antes e depois. Bronzeado recente adia a sessão.
Essa é justamente uma situação em que ter mais de um aparelho na clínica importa: em vez de forçar um CO2 em uma pele que pediria Érbium, escolhe-se a tecnologia adequada ao fototipo — que é o que mais reduz o risco de mancha, junto com a experiência de quem ajusta o parâmetro.
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Quando o assunto é laser fracionado, o Dr. Claudio Wulkan é referência e especialista no tema: dermatologista CRM-SP 90.579 · RQE 39.944, formado pela UNIFESP em 1997, membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, com cerca de 30 anos de experiência, mais de 20 tecnologias para a pele, ex-professor do ambulatório de laser da faculdade de medicina — e ensina outros médicos a fazer esses protocolos, além de participar de congressos internacionais há décadas. Com três aparelhos de laser fracionado na própria clínica (Etherea 2940 Érbium, Neoxel e Hybrid), em ambiente médico e com equipe completa, a escolha da tecnologia é feita pelo seu caso — com segurança — nas unidades Jardim Paulista e Osasco.
Aviso: conteúdo informativo, não substitui consulta médica. Indicações, parâmetros e resultados variam conforme avaliação individual.