Micose nos pés (pé de atleta): avaliação com dermatologista

Micose nos pés — conhecida como pé de atleta ou frieira — é uma infecção por fungos que ataca principalmente a pele entre os dedos e a sola. Causa descamação, coceira, rachaduras e mau cheiro. Tem tratamento simples na maioria dos casos: creme antifúngico usado do jeito certo, pelo tempo certo, e comprimidos quando o quadro é extenso ou não responde.

Revisado por Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · RQE 39944 · Dermatologia. Atualizado em 02/08/2026.

Sumário: o que você vai encontrar aqui sobre micose nos pés

O Dr. Claudio Wulkan é especialista em micose nos pés. Dermatologista formado pela UNIFESP em 1997 (CRM-SP 90.579 · RQE 39.944), corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, cerca de 30 anos de prática, mais de 20 tecnologias na clínica e décadas ensinando outros médicos em cursos e congressos internacionais. Micose nos pés parece banal — e é justamente por isso que tanta gente trata errado por anos, com creme comprado no balcão, e convive com recaída atrás de recaída.

Na Clínica Wulkan (Jardim Paulista e Osasco) a avaliação é feita em ambiente médico, com confirmação do diagnóstico quando necessário — o lugar certo para tratar micose nos pés com segurança e não ficar no ciclo de tentar e falhar.

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O que é a micose nos pés (pé de atleta ou frieira)

Uma doença muito comum e muitas vezes ignorada pelo próprio paciente. É uma infecção por fungos nos pés, particularmente entre os dedos. Seu surgimento ocorre pela associação: umidade, pouca ventilação, má higiene local e calor — ambiente propício ao desenvolvimento do fungo.

Ao contrário do senso comum, esta infecção é dificilmente transmitida a outras pessoas. Sua apresentação, quando entre os dedos, é de uma massa esbranquiçada e mal cheirosa. Em outros locais, como a planta dos pés, pode apresentar-se como uma descamação, bolinhas de água, espessamento da pele, e a coceira pode estar presente.

O nome técnico é tinea pedis. Os fungos responsáveis são quase sempre dermatófitos — principalmente o Trichophyton rubrum —, que se alimentam da queratina da pele. Eles não invadem o corpo: ficam na camada mais superficial. É por isso que um creme, quando bem usado, resolve a maioria dos casos.

Os três jeitos de a micose aparecer no pé

Reconhecer o tipo importa porque muda o tratamento e o tempo dele.

1. Entre os dedos (interdigital)

É a clássica frieira. A pele entre os dedos — sobretudo entre o quarto e o quinto — fica branca, macerada, às vezes com fissura no fundo da prega e cheiro forte. Costuma coçar e arder. É a forma mais fácil de tratar e a que mais responde a creme.

2. Na sola e nas laterais (plantar ou “em mocassim”)

A pele da sola fica seca, espessa, descamando fininho, como se fosse ressecamento comum — e cobre a planta e as laterais do pé como um mocassim. Coça pouco, e por isso quase ninguém suspeita de fungo: muita gente passa anos hidratando. É a forma mais difícil, porque a camada grossa de queratina dificulta a chegada do medicamento.

3. Com bolhas (vesicobolhosa)

Aparecem bolhas de água agrupadas, geralmente no peito do pé ou na sola, com coceira intensa. Costuma surgir em surtos, sobretudo no calor.

Cremes antifúngicos: quais são e como usar

O tratamento de primeira linha da micose nos pés é tópico — creme, spray, pó ou solução aplicados na pele. Os grupos usados são:

Alilaminas (as mais potentes contra dermatófitos)

  • Terbinafina 1% creme ou spray — o mais usado; costuma resolver a frieira interdigital em 1 a 2 semanas.
  • Naftifina 1% ou 2% — mesma família, com ação anti-inflamatória própria, útil quando a pele está muito irritada.
  • Butenafina 1% — perfil semelhante.

Azólicos

  • Luliconazol 1% — geração mais nova, aplicação uma vez ao dia, com bom desempenho nos casos de sola espessa.
  • Isoconazol, cetoconazol, miconazol, clotrimazol — clássicos, eficazes, mas costumam exigir mais tempo de uso que a terbinafina.

Outros

  • Ciclopirox olamina — cobre fungos e também leveduras e algumas bactérias; boa escolha quando há maceração e mau cheiro (situação em que costuma haver bactéria junto).
  • Amorolfina — mais usada nas unhas do que na pele.

Como usar do jeito certo

É aqui que a maior parte dos tratamentos falha. As regras práticas que passamos no consultório:

  • Seque o pé antes. Aplicar sobre pele úmida dilui o produto e mantém o ambiente que o fungo gosta. Secar bem entre os dedos, inclusive com o secador no frio, faz diferença real.
  • Aplique além da borda da lesão. Cerca de 2 cm de pele aparentemente sadia ao redor — o fungo já está lá antes de a pele mudar de aspecto.
  • Passe também na sola inteira e entre todos os dedos, mesmo os que parecem normais, na forma plantar.
  • Respeite a frequência. A maioria é 2 vezes ao dia; luliconazol e algumas apresentações de terbinafina são 1 vez ao dia. Menos que isso não trata.
  • Não pare quando melhorar. A coceira some em poucos dias, mas o fungo não. Continue por 1 a 2 semanas depois do desaparecimento dos sintomas — na sola espessa, o tratamento costuma passar de 4 semanas.
  • Trate os dois pés, mesmo que só um esteja com sintoma, e trate os calçados: pó ou spray antifúngico dentro do sapato, semanalmente.

Nos casos de sola muito espessa, associamos um queratolítico (ureia ou ácido salicílico) para afinar a camada córnea e deixar o antifúngico chegar onde precisa. Sem isso, o creme escorrega por cima do problema.

Os erros que fazem a micose voltar

  • Usar pomada com corticoide. As associações “antifúngico + corticoide” tiram a coceira rápido e mascaram o quadro — a lesão muda de cara, fica mais difícil de diagnosticar e o fungo se espalha. Só devem ser usadas por indicação médica e por poucos dias.
  • Parar cedo demais. É o motivo nº 1 de recaída.
  • Tratar o pé e esquecer o sapato e a meia. O calçado é o reservatório do fungo.
  • Tratar o pé e esquecer a unha. Se há onicomicose junto, a unha reinfecta a pele indefinidamente.
  • Achar que é ressecamento. A forma em mocassim é confundida com pele seca por anos.

Antifúngicos orais: quando entram os comprimidos

A maior parte da micose nos pés não precisa de remédio por via oral. O comprimido entra quando existe um motivo claro — e essa indicação é sempre médica, com receita e acompanhamento.

Situações em que indicamos o tratamento oral

  • Doença extensa ou que já saiu do pé (virilha, mãos, corpo).
  • Falha do tratamento tópico bem feito — e “bem feito” é o que está descrito acima.
  • Forma em mocassim com sola muito espessa, que raramente cede só com creme.
  • Onicomicose associada: com a unha tomada, o tratamento praticamente sempre é oral.
  • Pessoas imunossuprimidas, diabéticas ou com problema de circulação nas pernas, em que a micose abre porta para infecção bacteriana.

Quais são os medicamentos

  • Terbinafina — o mais usado contra dermatófitos, em esquema diário por algumas semanas na pele e por meses na unha.
  • Itraconazol — espectro mais amplo; costuma ser prescrito em esquema de pulso (blocos de dias com intervalo).
  • Fluconazol — em geral em dose semanal, útil quando há levedura envolvida ou quando os outros não podem ser usados.

Todos são seguros quando prescritos e monitorados por médico, mas nenhum é inofensivo: podem alterar enzimas do fígado, alterar o paladar (a terbinafina, de forma característica) e — este é o ponto mais negligenciado — interagem com outros remédios de uso contínuo, como anticoagulantes, estatinas e alguns medicamentos para o coração. Por isso pedimos exames de sangue antes ou durante o tratamento em boa parte dos casos, e por isso não se compra antifúngico oral por conta própria. Gestantes e lactantes seguem outra conduta.

Quando a micose passa para as unhas

Micose de pele e micose de unha andam juntas com muita frequência: o mesmo fungo que descama a sola invade a unha do pé, que fica amarelada, engrossada e quebradiça. E aí a conta muda — a unha é uma barreira dura, o creme não penetra bem e o tratamento é mais longo. Se as suas unhas também mudaram de cor ou de espessura, veja a página sobre o tratamento de micose nas unhas.

No vídeo abaixo, do canal do Dr. Claudio Wulkan, ele explica as alternativas para tratar micose de unha sem partir direto para o comprimido:

O que a ciência recente mostra sobre o tratamento da micose nos pés

A revisão de conduta publicada em 2025 no American Family Physician reforça o que fazemos na prática: tinea pedis responde a antifúngicos tópicos, que são baratos e eficazes, e o tratamento oral fica reservado para doença extensa, falta de resposta ao tópico e pacientes imunocomprometidos — não é o ponto de partida.

Sobre os cremes em si, uma revisão sistemática com meta-análise de 2025 reuniu sete ensaios clínicos randomizados multicêntricos e mediu o desempenho da naftifina: na tinea pedis, a chance de cura completa foi cerca de 5,8 vezes maior que a do veículo (creme sem princípio ativo), sem diferença de efeitos adversos — evidência direta de que o antifúngico tópico correto muda o desfecho.

E para a forma mais teimosa, a de sola espessa, um estudo japonês de 2025 acompanhou 21 pacientes com tinea pedis hiperceratótica tratados por três meses só com luliconazol 1% tópico: a área das lesões caiu em média 94,1% e 61,9% dos pacientes atingiram cura. O mesmo trabalho traz o alerta que vale repetir — um dos casos era por Trichophyton rubrum resistente à terbinafina e precisou de antifúngico oral. Resistência já é realidade, e é mais um motivo para confirmar o diagnóstico em vez de trocar de creme às cegas.

Fontes científicas desta página:

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Cuidados que evitam a recaída

É um problema geralmente de fácil tratamento. Entretanto, o ponto mais importante no sucesso é a conscientização do paciente nos cuidados locais: higiene adequada, trocar diariamente as meias, procurar usar meias de algodão, secar muito bem os pés e entre os dedos, limpeza dos calçados, sempre que possível usar calçados abertos e uso de talcos nos calçados.

  • Faça rodízio de sapatos — o mesmo par todos os dias nunca seca por dentro.
  • Use chinelo em vestiário, sauna, piscina e banheiro de hotel.
  • Não compartilhe toalha, meia, sapato, cortador ou lixa de unha.
  • Troque as meias sempre que suar muito, não só uma vez ao dia.
  • Depois do banho, seque entre os dedos por último e com atenção.
  • Se tem hiperidrose (suor excessivo nos pés), trate o suor: enquanto o pé viver molhado, o fungo volta.

Quando procurar o dermatologista com urgência

  • vermelho, quente, inchado e doloroso, com ou sem febre — a fissura da frieira é porta de entrada para erisipela e celulite bacteriana.
  • Você é diabético ou tem má circulação nas pernas: qualquer ferida no pé merece avaliação rápida.
  • Está usando imunossupressor ou fez transplante.
  • Tratou direito por 4 semanas e não melhorou — pode não ser micose, ou pode ser fungo resistente.
  • A pele descama e as unhas mudaram de cor ou engrossaram.

Vale um lembrete: nem tudo que descama no pé é micose. Eczema disidrótico, psoríase palmoplantar, dermatite de contato ao material do calçado e ressecamento simples imitam tinea pedis — e são tratados de forma completamente diferente. O exame direto do raspado da pele resolve a dúvida em minutos.

Perguntas frequentes sobre micose nos pés

Micose e frieira são a mesma coisa?

Frieira é o nome popular da micose que aparece entre os dedos do pé — ou seja, é um tipo de micose, a mais comum delas. “Pé de atleta” é outro nome popular para o mesmo quadro.

O nome médico de todas essas formas é tinea pedis.

O que passar na micose do pé?

Um antifúngico tópico — terbinafina, naftifina, luliconazol, isoconazol ou ciclopirox são os mais usados. O que decide o resultado não é a marca, e sim o modo de uso: aplicar em toda a sola e entre todos os dedos, ultrapassando 2 cm a borda da lesão, na frequência indicada, e manter por 1 a 2 semanas depois que os sintomas sumirem.

Micose no pé passa sozinha?

Praticamente nunca. O fungo se alimenta da queratina da pele e o pé dentro do sapato oferece o calor e a umidade de que ele precisa.

Sem tratamento, o quadro tende a se manter e a avançar para as unhas.

Quanto tempo demora para curar a micose no pé?

A frieira entre os dedos costuma responder em 1 a 2 semanas de creme, e o tratamento é mantido por mais 1 a 2 semanas. A forma da sola, com pele espessa, geralmente leva 4 semanas ou mais.

Quando a unha está tomada, o tratamento passa a ser contado em meses.

Pé de atleta é grave?

Na maioria das pessoas, não — incomoda mas não traz risco. Fica grave quando a rachadura entre os dedos vira porta de entrada para bactéria, causando erisipela ou celulite, principalmente em diabéticos, idosos e pessoas com problema de circulação.

Nesses grupos, tratar cedo é medida de segurança.

Micose no pé pega de outra pessoa?

A transmissão direta de pessoa para pessoa é pouco frequente. O contágio acontece muito mais pelo ambiente compartilhado — chão molhado de vestiário, piscina, sauna, tapete de banheiro — e por sapato, meia e toalha de outra pessoa.

Micose no pé pode espalhar pelo corpo?

Pode. O mesmo fungo migra para a virilha (tinea cruris), para as mãos e para o corpo, geralmente carregado pelas próprias mãos ao coçar ou pela toalha.

Por isso tratamos o pé e orientamos secar a virilha antes dos pés ao se enxugar.

Por que a micose do meu pé sempre volta?

As três causas mais comuns são: parar o creme assim que a coceira passa, não tratar o calçado (que continua contaminado) e ter uma onicomicose não tratada reinfectando a pele. Suor excessivo nos pés é o quarto motivo.

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O Dr. Claudio Wulkan é especialista em micose nos pés — UNIFESP 1997 · CRM-SP 90.579 · RQE 39.944 · corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein · cerca de 30 anos de dermatologia · mais de 20 tecnologias em uso e décadas ensinando outros médicos em congressos internacionais. Duas unidades para a sua avaliação: Jardim Paulista (São Paulo) e Centro de Osasco, sempre em ambiente médico.

Se o seu pé descama, coça, racha entre os dedos ou já contaminou as unhas, uma consulta confirma o diagnóstico e define o esquema certo — evitando os meses perdidos com creme errado. Quer entender melhor as opções antes de vir? Veja também o tratamento de micose no pé passo a passo.

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