Conteúdo revisado por Dr. Cláudio Wulkan — dermatologista, CRM-SP 90.579 · RQE 39944. Formado em 1997 pela Escola Paulista de Medicina (UNIFESP), com quase 30 anos de experiência em dermatologia.
Como a Clínica Wulkan trata a hidradenite supurativa
A hidradenite supurativa (HS) tem gravidade variável, e o tratamento certo depende do estágio. Por isso organizamos o cuidado em duas frentes:
Casos moderados e graves — encaminhamos. Nos últimos anos, os imunobiológicos mudaram o curso da doença nos quadros mais avançados. A Clínica Wulkan não prescreve biológicos: quando identificamos um caso moderado ou grave, encaminhamos você a colegas dermatologistas que atuam indicando esses medicamentos, para que tenha acesso à conduta com maior respaldo para o seu estágio — não é uma recusa, é direcionamento.
Casos leves e leve-moderados — tratamos aqui. Nesses quadros, atuamos na clínica associando o manejo clínico ao laser 1340 nm (ProDeep, plataforma Etherea), que ajuda muito no controle da inflamação folicular — sobretudo quando o tratamento começa cedo.

Utilizando o laser específico NdYAp 1340nm ( no Brasil chamado de ProDeep, da INDUSTRA Technologies) e feitas entre 4 a 8 sessões, o tratamento trouxe melhora intensa nos quadros inflamatórios e recorrentes da doença hidroadenite/hidrosadenite para mais de 70% dos pacientes tratados.
Considere como opção MUITO IMPORTANTE no tratamento da hidradenite/hidrosadenite
O que é Hidradenite Supurativa
A hidradenite é uma doença que surge devido a uma obstrução do folículo piloso, levando ao acúmulo de material sebáceo e suor, tendo como consequência a inflamação local. Na maioria das vezes o acúmulo desse material dentro do folículo piloso provoca a sua ruptura, facilitando a contaminação por bactérias e a formação de pequenos túneis ou fístulas.Ao contrário do furúnculo, a hidradenite tem carácter crônico, com duração que varia de semanas a meses. A recorrência também é comum, fazendo com que a inflamação no mesmo local da pele ocorra várias vezes durante a vida.
É mais comum nas mulheres que nos homens, e é mais comum em adolescentes e adultos jovens. A obesidade influencia demais o desenvolvimento da hidradenite, assim como pessoas fumantes e naqueles com história familiar de hidradenite supurativa.
Características clínicas da Hidradenite Supurativa – na visao do Especialista tratamento Hidrosadenite
Hidradenite é uma doença que acomete preferencialmente áreas de dobra ou flexoras como as axilas, virilhas, região inferior das mamas ou dos glúteos, ao redor do ânus, saco escrotal ou na parte de dentro das coxas.
Inicia como um único nódulo inflamado e doloroso. Com o tempo, outros nódulos ao redor podem surgir. Também estão presentes os macrocomedões: lesões tipo cravos. Outros sintomas iniciais e comuns são: coceira e suor no local.
Esses nódulos costumam ser muito dolorosos e podem durar vários dias ou meses. Nesta fase, a hidradenite costuma ser sub-diagnosticada, pois a maioria das pessoas a confunde com uma “espinha interna” ou “furúnculo sem a cabeça de pus”. Ao contrário do furúnculo, a hidradenite tem uma evolução mais insidiosa, crescendo de forma mais lenta.
Geralmente, o nódulo melhora ou drena espontaneamente, mas retorna no mesmo local após algumas semanas. É possível a formação de fístulas, que se comunicam entre si e com o exterior, drenando um material purulento e com odor forte.
Depois de um período variável de tempo, o nódulo doloroso progride para formar um abscesso, que pode drenar. Ao “estourar” o nódulo da hidradenite drena um material purulento e/ou sanguinolento. A dor muitas vezes melhora após a drenagem.
Cicatrizes podem surgir após a resolução de lesões muito inflamadas, sendo mais frequentes na virilha e na axila. É possível ocorrer redução da mobilidade do braço devido as cicatrizes extensas nestes locais.
A hidradenite supurativa afeta muito a qualidade de vida do paciente. Como resultado, alguns pacientes apresentam o isolamento social, depressão, fim de relacionamentos e até dificuldades profissionais.
Estágios da Hidradenite
A hidradenite supurativa costuma ser classificada em três grupos de gravidade da doença:
- Estágio I – formação de abscesso único ou múltiplo, mas sem formação de canais, túneis ou cicatrizes.
- Estágio II – abscessos recorrentes, com formação de canais, túneis ou cicatrizes. Ainda é possível individualizar as lesões.
- Estágio III – envolvimento difuso da região da pele acometida, com múltiplas lesões, vários túneis interligados e cicatrizes extensas.
Diferenças entre furúnculo e Hidradenite Supurativa
Os furúnculos são lesões que não costumam recidivar no mesmo local, não têm preferência por áreas de dobras, não possuem o macrocomedão, não apresentam fístulas e nem formam cicatrizes extensas.
Tratamento da Hidradenite Supurativa
Não há cura definitiva para a hidradenite supurativa. Mas o tratamento precoce com o dermatologista pode ajudar a controlar os sintomas, evitar novas lesões, além de impedir a formação de cicatrizes.
É muito importante medidas não medicamentosas no controle da hidradenite. A principal é evitar o cigarro. Consumo excessivo de laticínios e alimentos ricos em açúcar também parecer ser prejudicial para quem tem a doença. Nos pacientes com excesso de peso, emagrecer é essencial. E sempre realizar a higiene diária do local afetado com sabonetes antibacterianos indicados pelo seu médico.
Existem opções de tratamentos com creme e pomadas, além de medicamentos orais como antibióticos e imunossupressores. Atualmente, ocorreu a aprovação pela ANVISA para o uso de um imunobiológico (Adalimumabe) para controle da inflamação na hidradenite. É sempre importante lembrar da participação da cirurgia em qualquer estágio da doença como uma abordagem segura e eficaz na maioria dos casos.
Medicamentos
Já existem alguns medicamentos em estudo para o tratamento da Hidradenite Supurativa. Foram realizadas pesquisas com pacientes com hidradenite supurativa, de moderada a grave, tratados por 12 semanas.
Os resultados demonstraram resposta significativa ao tratamento por parte dos pacientes quando comparados àqueles tratados com placebo durante o mesmo período. A resposta ao tratamento é medida pelo o índice chamado Resposta Clínica para Hidradenite Supurativa (HiSCR – Hidradenitis Suppurativa Clinical Response), que avalia a melhora nos abcessos e nódulos inflamatórios.
De acordo com este Índice, é considerada resposta positiva ao tratamento a redução de pelo menos 50 por cento do total de abcessos e nódulos inflamatórios (em comparação à situação do início do tratamento), sem que haja aumento no número de abcessos e drenagem de fístulas. Além disso, na 12° semana, uma porcentagem significativa dos pacientes tratados com o medicamento apresentou uma redução clínica da dor na pele de cerca de 30%.
Tratamento com laser para Hidradenite na clinica Wulkan, sob supervisao do Especialista tratamento Hidrosadenite
As terapias cirúrgicas e as técnicas com lasers são empregadas em situações nas quais já houve falha no tratamento das lesões com outras modalidades. As terapias com lasers surgiram como uma opção interessante devido à capacidade de aplicação em lesões extensas e conservação de tecido sadio ao redor das lesões, eliminando a necessidade do uso de enxertos ou retalhos cirúrgicos.
Em estudo, Hazen e Hazen36 utilizaram a técnica de laser de CO2 em 61 pacientes, com o total de 185 áreas tratadas, sendo observada recorrência em apenas duas áreas, em um mesmo paciente, durante período de seguimento que variou de um a 19 anos. Essa técnica induz a vaporização das lesões, sendo capaz de atingir os planos profundos do tecido gorduroso subcutâneo e fáscias musculares, sendo útil para a abordagem de lesões infectadas devido aos efeitos bactericidas do calor.
Com base no papel dos folículos pilosos na fisiopatologia da HS, sua ablação seletiva surgiu como opção interessante para o controle da doença. Dos tratamentos disponíveis, o laser de Nd:YAG 1,064-nm foi analisado por Tierney et al.37 em estudo com 22 pacientes.
Foram realizadas três sessões mensais de terapia, e os resultados obtidos mostraram melhora significativa em todos os pacientes tratados, com variações na melhora dependendo das áreas tratadas (73,4% para região inguinal, 62% para a região axilar, 53,1% para a região inframamária resultando em melhora global de 65,3%).
Atraso no Diagnóstico da Hidrosadenite Supurativa
A Hidradenite Supurativa é uma doença inflamatória crônica que afeta muito a qualidade de vida do paciente. Aproximadamente 1% da população apresenta esta doença, porém a grande maioria não é diagnosticada ou sofre muito com o atraso no diagnóstico (tempo médio de 12 anos).
O atraso diagnóstico afeta de forma direta o desenvolvimento psicológico além de gerar cicatrizes/sequelas que prejudicam a morbidade dos braços e pernas.
Desta forma a procura por um especialista dermatologista para o acompanhamento é essencial para um diagnóstico precoce, início do tratamento e acompanhamento de comorbidades associadas.
Novos tratamentos para Hidrosadenite Supurativa
Existem diversas opções terapêuticas para Hidradenite Supurativa, de acordo com a gravidade da doença e as comorbidades apresentadas pelo paciente.
Atualmente, considera-se como fator principal da formação da Hidradenite a presença de moléculas inflamatórias como: TNF-alfa, IL-12, IL-17 e IL-23.
A eficácia do uso de anit-TNF alfa (ADALIMUMABE liberado pela ANVISA) foi descrito em pacientes com Hidradenite moderada a grave. Inclusive, um estudo com 10 pacientes apresentando doença grave foi conduzido pela Universidade de Pisa na Itália. Neste estudo, todos os pacientes apresentaram melhora da quantidade de lesões, além da redução da dor local e saída de secreção.
Este e outros estudos atuais sobre o uso de imunobiológicos na Hidradenite Supurativa demonstram novas possibilidades terapêuticas para uma doença que durante muito tempo foi negligenciada e não possuía estudos a respeito de tratamentos adequados.
Estes novos medicamentos são uma esperança para os pacientes que já tentaram diversos remédios sem resposta satisfatória além de auxiliar no tratamento daqueles pacientes que apresentam uma qualidade de vida comprometida pela gravidade de sua doença.
Fonte:
Hidradenite supurativa: atualização e revisão de suas modalidades terapêuticas
‘Hidradenitis Suppurativa: update and review of therapeutic modalities’
Guilherme Muzy1; Elisete Isabel Crocco2; Renata Oliveira Alves3
Aqui você tem outra página falando sobre tratamento da hidradenite com essa nova técnica a laser:
Um ponto importante sobre a hidradenite
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O que a ciência recente mostra sobre a hidradenite
Nos quadros moderados a graves, os imunobiológicos mudaram o manejo. Uma revisão sistemática com meta-análise em rede de 2026, reunindo 9 ensaios clínicos randomizados, mostrou que o bimekizumabe (que bloqueia as vias IL-17A e IL-17F) obteve as maiores taxas de resposta clínica (HiSCR) entre a 12ª e a 16ª semana; nos estudos de fase 3, cerca de metade dos pacientes atingiu resposta — um patamar de controle raro antes da era dos biológicos. É por esse ganho que encaminhamos os casos moderados e graves a colegas que acompanham esses medicamentos.
Já nos casos leves, o laser é um aliado no controle da inflamação folicular. Uma revisão sistemática de 2025 (26 estudos) aponta os lasers não ablativos de infravermelho próximo — como o Nd:YAG de pulso longo — como os mais indicados nos estágios iniciais, com reduções relevantes nos escores de gravidade; um ensaio randomizado de 2024 mostrou resposta clínica de 75% no lado tratado contra 33% no lado-controle. O laser 1340 nm (ProDeep/Etherea) que usamos pertence a essa mesma classe de laser não ablativo, de ação sobre o folículo. Registramos, com transparência, que a literatura indexada até agora se concentra nos comprimentos 1064 nm e 755 nm — não há ainda ensaio publicado específico do 1340 nm em hidradenite; a indicação parte da mesma classe de dispositivo e da avaliação individual.
Fontes: Naik HB et al., meta-análise em rede de biológicos, JEADV, 2026 · Gawroński M et al., revisão de laserterapia em HS, J Clin Med, 2025 · Sidhom S et al., ensaio randomizado com laser, JAAD Int, 2024.