A pergunta mais comum é direta: Pointts funciona? O produto congela a lesão de forma superficial — em algumas verrugas pequenas pode até haver resposta, mas o resultado é irregular, costuma exigir repetições e, principalmente, vem com riscos reais: queimaduras, úlceras, manchas e cicatrizes. Abaixo está o alerta oficial da Sociedade Brasileira de Dermatologia sobre o produto e, mais importante, o perigo de que quase ninguém fala.
Revisado por Dr. Claudio Wulkan — CRM-SP 90.579 · RQE 39944 · Dermatologia. Atualizado em 01/08/2026.
Sumário: o que você vai encontrar aqui sobre Pointts para verrugas
- Pointts funciona mesmo?
- O comunicado da Sociedade Brasileira de Dermatologia
- O maior perigo: tratar o que não é verruga
- O que fazer em vez disso
- O que diz a ciência (2026)
- Perguntas frequentes
- Agende sua avaliação
O Dr. Claudio Wulkan é especialista em Pointts para verrugas. Dermatologista formado pela UNIFESP em 1997 (CRM-SP 90.579 · RQE 39.944), corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, cerca de 30 anos de prática, mais de 20 tecnologias na clínica e experiência ensinando outros médicos em cursos e congressos internacionais. Verruga é diagnóstico médico — e há lesões que imitam verruga e não são.
Na Clínica Wulkan (Jardim Paulista e Osasco) o atendimento é em ambiente médico, com avaliação individual — o lugar certo para tratar com segurança.
Por que o Pointts, para tratar verrugas, deveria ser proibido
Há anos comento com os pacientes que Pointts é um perigo. Abaixo um esclarecimento feito esta semana pela nossa Sociedade Brasileira de Dermatologia. LEIAM e divulguem, por favor !
Dr. Claudio Wulkan
Dermatologista, membro da Soc. Bras. de Dermatologia
“Temos recebido em nossos meios de comunicação relatos de queimaduras, ulcerações, discromias e cicatrizes em decorrência do uso de um produto conhecido como Pointts. Trata-se de um frasco contendo uma mistura de éter dimetílico, propano e isobutano, indicado pelo fabricante para tratamento de verrugas virais. Verificamos que o Pointts possui registro na Anvisa (80585180001), com validade até 17 de outubro de 2016. É vendido nas farmácias sem necessidade de receita médica e, segundo outras informações recebidas, o Pointts tem sido utilizado em várias dermatoses, inclusive cânceres cutâneos, dificultando o diagnóstico e tratamento adequados.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), preocupada com os potenciais riscos deste produto utilizado pela população, vem se manifestando para que sejam tomadas medidas de controle de venda e supervisão de propagandas sobre o produto, a fim de diminuirem os riscos do uso de maneira inadequada e indiscriminada.
Recentemente, membros da Diretoria da SBD se reuniram em Brasília com representantes da Anvisa para discutir e se posicionar sobre o Pointts, tanto em relação aos perigos da venda e uso indiscriminado, quanto aos erros contidos na bula do produto. Todas as nossas queixas foram compreendidas e protocoladas, no entanto, foi orientado que nossos associados notifiquem todos os casos atendidos com complicações do uso indevido do produto, para que existam provas que respaldem nossas notificações e auxiliem nos feitos futuros.
Dessa forma, viemos novamente por meio desta, orientar a todos que atenderem pacientes ou souberem de complicações com o uso do produto Pointts, para notificar o caso no site…

Nota: o comunicado acima é o texto original divulgado pela SBD à época, mantido aqui como registro histórico — inclusive os dados de registro do produto, que se referem ao período da publicação.
O maior perigo: tratar em casa o que não é verruga
Nem toda lesão áspera e elevada é verruga. Ceratoses, lesões pré-cancerígenas e até câncer de pele podem ter aparência verrucosa. Quando alguém aplica um produto de venda livre nessas lesões, dois problemas acontecem ao mesmo tempo: o diagnóstico correto atrasa e a lesão fica alterada, o que dificulta a avaliação depois — inclusive no exame de microscopia.
É por isso que a orientação vale para qualquer lesão de pele que não desaparece: mostre para um dermatologista antes de tratar por conta própria. O exame leva minutos e evita meses perdidos.
O que fazer em vez disso
Verrugas têm tratamento médico eficaz e com controle de profundidade: crioterapia com nitrogênio líquido feita em consultório, ácidos aplicados pelo médico, eletrocoagulação e laser — a escolha depende do tipo, do número e da localização das lesões, além da idade do paciente.
Na Clínica Wulkan a conduta começa pelo diagnóstico: confirmar que é verruga, definir o método e acompanhar até a resolução. Veja também nossa página sobre verrugas e olho de peixe.
O que diz a ciência: quando a “verruga” não é verruga (2026)
Um caso publicado em abril de 2026 no American Journal of Dermatopathology ilustra exatamente o risco. Uma paciente apresentava uma lesão verrucosa amarelada de 25 mm na perna, com aparência clássica de verruga. O exame da peça, depois da retirada cirúrgica, revelou tratar-se da variante verrucosa da doença de Bowen — ou seja, um carcinoma espinocelular in situ, um câncer de pele.
Os autores destacam que essa variante é rara e representa um desafio diagnóstico real, porque imita lesões benignas. É o argumento definitivo contra tratar lesão de pele por conta própria: o produto de farmácia não distingue uma coisa da outra — o exame médico distingue.
Perguntas frequentes sobre Pointts para verrugas
Pointts funciona para verruga?
O produto age congelando a lesão de forma superficial e o resultado é irregular: algumas verrugas pequenas respondem, outras não, e costuma ser preciso repetir. O problema é a relação risco-benefício — há relatos de queimaduras, úlceras, manchas e cicatrizes com o uso caseiro.
A limitação é técnica, antes de ser comercial. A crioterapia de consultório usa nitrogênio líquido a cerca de 196 graus negativos, com controle de tempo e profundidade pelo médico; o produto de farmácia trabalha em temperatura bem menos intensa e depende de o próprio usuário acertar posição, tempo de contato e número de repetições. Sobre uma verruga plantar, que é espessa e profunda, esse frio superficial frequentemente não alcança o alvo — e a lesão continua, agora com a pele ao redor machucada.
Some-se a isso que a verruga é causada por HPV e tem raiz viral: tratar a superfície sem eliminar o tecido infectado costuma resultar em recidiva. É por isso que a conta risco-benefício raramente fecha em casa. Se a lesão persiste, muda de aspecto, dói ou se multiplica, o caminho é a avaliação com dermatologista, que confirma o diagnóstico antes de escolher o tratamento.
Pointts tira sinal de carne?
Não é isso que o produto se propõe a fazer, e usar por conta própria em pintas, sinais ou lesões de carne é perigoso: além de não resolver, pode alterar a lesão e atrasar o diagnóstico de algo mais sério. Qualquer lesão elevada precisa de avaliação médica antes.
O problema começa no nome popular. “Sinal de carne” é usado para coisas muito diferentes entre si: acrocórdon (aquela pele fina e pendurada no pescoço e nas axilas), nevo intradérmico, queratose seborreica e, ocasionalmente, lesões que merecem investigação. A olho nu, e sem dermatoscopia, essas lesões se parecem — e é exatamente por isso que aplicar um produto congelante por conta própria é arriscado.
O risco mais grave não é a queimadura: é apagar as pistas. Uma lesão pigmentada tratada em casa pode ficar com aspecto alterado, cicatrizada por cima, e retardar meses o diagnóstico de um câncer de pele — cenário em que tempo é o que mais importa. Qualquer lesão elevada, que cresce, sangra, coça, muda de cor ou de contorno precisa ser vista por um dermatologista antes de qualquer tentativa de remoção.
Quais são os riscos do Pointts?
A Sociedade Brasileira de Dermatologia registrou relatos de queimaduras, ulcerações, alterações de cor da pele (discromias) e cicatrizes. Há ainda o risco indireto — e mais grave — de mascarar o diagnóstico de lesões que não eram verruga.
Esses efeitos têm explicação prática: o congelamento não distingue a verruga da pele sadia ao redor. Quando o tempo de aplicação passa do ponto, a lesão pode virar uma bolha, depois uma ferida aberta, com risco de infecção secundária e de cicatriz permanente. Em quem tem pele mais pigmentada, é comum sobrar uma mancha branca (hipocromia) ou escura no lugar, às vezes definitiva — resultado pior, esteticamente, do que a verruga original.
Há ainda grupos em que o uso caseiro é especialmente inadequado: pessoas com diabetes ou má circulação nos pés, em quem uma ferida pequena pode evoluir mal; crianças; e quem tem imunidade comprometida, em quem as verrugas costumam ser mais numerosas e resistentes. Nesses casos, mesmo o tratamento médico é planejado com cuidado redobrado, o que dá a medida do problema de improvisar em casa.
Qual o tratamento correto para verruga?
O tratamento é médico e escolhido conforme o tipo, o número e o local das lesões: crioterapia com nitrogênio líquido em consultório, ácidos aplicados pelo médico, eletrocoagulação ou laser. O primeiro passo é sempre confirmar o diagnóstico.
A escolha muda conforme a localização e o número de lesões. Verruga plantar, comprimida pelo peso do corpo, costuma exigir mais sessões e às vezes preparo com ácido antes; verrugas no rosto pedem métodos que minimizem cicatriz; lesões numerosas ou recidivantes podem levar à associação de técnicas. Nenhum desses métodos é indolor ou instantâneo — em geral são necessárias sessões repetidas, com intervalo de semanas, e o número varia de pessoa para pessoa.
O primeiro passo continua sendo confirmar o que é a lesão, com exame clínico e dermatoscopia quando indicado. É comum o paciente chegar tratando há meses algo que não era verruga — calo, molusco contagioso, queratose ou lesão que exigia biópsia. A conduta é definida em consulta presencial, e resultados variam conforme o tipo de lesão e a resposta imune de cada um.
Verruga some sozinha?
Algumas somem com o tempo, porque o próprio sistema imune controla o vírus — mas isso pode levar meses ou anos, e nesse período elas podem se espalhar e contaminar outras pessoas. Por isso o tratamento costuma valer a pena.
A regressão espontânea é real e acontece com mais frequência em crianças e adolescentes, cujo sistema imune costuma reconhecer e controlar o HPV mais rápido. Em adultos, e especialmente em quem tem imunidade reduzida, o processo é mais lento e menos provável. O ponto é que “pode sumir” não equivale a “vale a pena esperar” em todos os casos.
Enquanto a lesão existe, ela é transmissível: por contato direto, por objetos compartilhados e, no caso das plantares, por piso de vestiário, borda de piscina e chão de academia. Verrugas também tendem a se multiplicar por autoinoculação, quando a pessoa cutuca ou lixa a lesão e leva o vírus para outras áreas. Decidir entre tratar ou acompanhar é uma conversa clínica, que leva em conta idade, número de lesões, incômodo e contexto de convivência.
Tem uma lesão e não sabe o que é? Agende uma avaliação
O Dr. Claudio Wulkan é especialista em diagnóstico e tratamento de verrugas — UNIFESP 1997 · CRM-SP 90.579 · RQE 39.944 · corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein · cerca de 30 anos de dermatologia · mais de 20 tecnologias em uso e décadas ensinando outros médicos em congressos internacionais. Duas unidades para a sua avaliação: Jardim Paulista (São Paulo) e Centro de Osasco.